Então nos oferecemos companhia. Uma madrugada tive fome e você apareceu na minha porta "esfirra de queijo?".
Nem muitos assuntos tínhamos, nos faltavam coisas em comum. Criamos um jeito novo de nos relacionar, monossilabicamente excitante.
Passávamos bastante tempo juntos, falávamos sobre uma infinidade de assuntos e eu tinha a impressão de não estarmos dizendo nada um ao outro.
O que fazíamos em todo aquele tempo junto já que não estávamos nos conhecendo?
Mas você não me cobrava. E em troca eu não te cobrava.
Eu não te dizia palavras bonitas da boca pra fora e você não fazia por mim aqueles gestos grandiosos que tanto quis de outrem. Só o espontâneo, algo quase sempre tangendo o trivial. Gostei de você por isso, pelas fraquezas das tuas limitações.
E você gostou de mim pelo excesso de compreensão.