Prometi a mim mesma que da próxima vez eu seria diferente, por não querer mais me ver tão errada, tão torta, tão rigorosa comigo mesma e com as histórias que protagonizo. Aprendi que preciso ser tolerante, que não posso me deixar ser tão orgulhosa. Aprendi que preciso procurar minhas falhas, mesmo quando só pareço enxergar as dos outros. Aprendi que não posso querer que o outro adivinhe o que sinto ou que saiba sempre a maneira como quero que aja. Aprendi, sei que aprendi.
Mas hoje me sinto inerte frente a tudo o que desejei enquanto trilhava sozinha esse caminho. Longo, excruciante, trágico até. Mas extremamente necessário.
Me vejo acuada. Ir em frente significa me desprender de todo o meu universo cognitivo pra me jogar em um mar de mudanças, imergir junto à melhor versão de mim mesma. Não quero descobrir que esse meu eu lapidado continua cometendo os mesmos erros estúpidos. Meu estômago alimenta úlceras infinitas enquanto penso que preciso deixar que você tome conta de mim, mesmo quando o melhor que puder fazer resulte em me machucar. Porque eventualmente é o que você fará. Vai esquecer que um pequeno gesto era tudo o que eu queria e vai partir meu coração fazendo pouco, fazendo nada, ou me dando o inverso do que eu precisava. Não vai se dar conta de que aquela sua ex-namorada está passando dos limites da sociopatia e vai desapontar todo platonismo que construí acerca de você. Vai me responder palavras duras e impulsivas no calor da discussão e me obrigar a conviver com a ressonância delas todas.
E não importa o quanto eu tenha mudado desde a última vez. Vai doer. Porque abrir-se de verdade a alguém é estar sujeito a tudo que essa presença lhe traz, bom ou nem tanto. É estar à mercê de uma cabeça com outras ideias, outros valores, anseios, sonhos, outras vontades… É por isso que nos sentimos tão apavorados, tão desamparados. E nos cabe então torcer, cruzar os dedos esperando que aquele que você ama te machuque em concentrações bem inferiores a toda felicidade que lhe proporciona. Nos cabe dar sempre o nosso melhor, abrir a nossa vida praquele que é realmente especial.
Ou praqueles… Sejam quantas tentativas forem. Não quero mais me fechar, ou fugir, nem me aterrorizar por tão pouco. Quero desarmar-me frente a tudo que tenha potencial pra me cativar. Quero viver, arriscar, experimentar. Quero nem pensar em perder meu tempo com alguém que não tenha percorrido essa mesma trilha, com quem não esteja pronto, com quem se doe dessa maneira sempre tão fragmentada. Isso tudo eu também aprendi.
Porque quando valer a pena, só alcançar não basta. Tem é que segurar forte entre os braços, tem que ser por inteiro.