quinta-feira, 4 de novembro de 2010

praesentio

Ele diz que até dormir se tornou uma tarefa difícil, que não consegue parar de pensar. Faz-se presente através de toda e qualquer rede social a qual você possa pertencer, pra dizer amenidades como quando lembrou de você ao escutar aquela música ou para lembrá-la de como seus olhos ficam pequenos enquanto você sorri. Ressurge com delicadas recordações de momentos nos quais você ainda nem desconfiava que ele só tinha olhos pra você. Entre pequenas brechas, o desgaste entre as soldas da armadura a torna cada vez mais penetrável. Existem inúmeras teorias sobre qual foi realmente a primeira vez em que seus caminhos se cruzaram e sobre como tudo seria mais fácil se…

Ele a observa de uma forma incrivelmente arrebatadora, não deixando que lhe sobre espaço pra nenhum tipo de raciocínio lógico. Não faz sentido e talvez esse seja o sentido afinal. Não existem alternativas além da violenta vontade de mergulhar tão fundo quanto seu tímpano possa permitir, até que seus pulmões esvaziem-se por completo reivindicando por uma dose de ar puro novamente.

Carinhosamente entrelaça a mão na sua enquanto o polegar dele parece fazer suaves desenhos ao redor da sua pele. Esboça um sorriso lateralizado, que confessa uma covinha tímida, enquanto tem dificuldade de manter os olhos fixos em você. Você terá um enfarto agudo do miocárdio muito em breve , tenha sempre à mão uma aspirina, se não começar a inspirar profunda e lentamente. Você sente corar-lhe a face e seu corpo passa a eliminar grandes quantidades de calor, a mão treme descontroladamente ao som da batida ansiosa dos seus pés no chão.

Você o escuta balbuciando algo ininteligível.

Disfarça.

O momento se tornará perfeito se não pronunciarmos uma só palavra sequer.