sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sem adaptações.

Para mim, atualmente, companheirismo e lealdade são meio sinônimos de felicidade. Meus amigos são muito fortes e muito profundos, são amigos de fé, para quem eu posso telefonar às cinco da manhã e dizer: olha, estou querendo me matar, o que eu faço? Eles me dão liberdade para isso, não tenho relações rápidas, quer dizer, tenho porque todo mundo tem, mas procuro sempre aprofundar. E isso é felicidade, você poder contar com os outros, se sentir cuidado, protegido. Dei esse exemplo meio barra pesada de me matar....esquece, posso ligar para ver o nascer do sol no Ibirapuera às cinco da manhã. Já fiz isso, inclusive.

Fico tão cansada às vezes, e digo pra mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida. E fumo, e fico horas sem pensar absolutamente nada: (...)
Claro, é preciso julgar a si próprio com o máximo de rigidez, mas não sei se você concorda, as coisas por natureza já são tão duras para mim que não me acho no direito de endurecê-las ainda mais.
Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta e você me leva pra Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo bem.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Impensável.

Arraste-me para o mais longe que puder e suma comigo, ou suma de vez da minha vida.

Algo me diz que perdemos algo. Pode ser que não seja nada demais, pode ser a coisa mais importante do mundo. Não faz diferença, talvez a coisa mais importante do mundo, não seja nada demais.

Os sorrisos que vejo são somente sorrisos, quando você é tudo o que te importa, depois de tanto se importar com um outro alguém. Você prefere ficar sozinho, ouvindo as músicas que ninguém aguenta ouvir por mais de 2 (dois) minutos – você ouve por horas e repetidamente, não é mesmo?!

Dói mais ao nosso amor-próprio sermos desprezados, que aborrecidos.

Eu poderia dizer o que já repeti em refrões antigos: que sou “alguém pra ocupar o lugar / de quem não vai voltar”.

São palavras que me saltam da língua e param nos dentes, sempre que sinto medo de que você confirme a minha hipótese. Então eu sigo o teu conselho de me ater apenas às tuas ações. E assim eu sigo, tirando da tua boca frases impensáveis, do teu peito, o calor que eu preciso e, da tua vida, tudo que vai de encontro aos teus planos de não me deixar entrar.

Um dia desses, eis que me invade os fones uma melodia nova. Eu jamais poderia dizer o próximo acorde que viria, pois tudo se desdobrava nos mais intringados trechos, novas partes, em andamentos diferentes, mudando a cada maldito compasso. Em versão resumida: não consegui te decorar, não sei te tocar, e me pergunto algumas vezes por dia quando é que vou ouvir novamente, essa canção.

A música estava no ar o tempo todo, eu é que estava usando fones.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Estranha Companhia.

Estranho como tudo se encaixa, separado de quem você é realmente.
Nações crescem e caem, construa e reconstrua as paredes. Todas elas caem se destroem e nada abala você.

Estações vêm e vão, mas você é imutável. E com o movimento de nossas vidas, pouco a pouco nos evoluímos, me encontro ancorada em você.
Assusto-me com o fato de nada te abalar.

Girando, o mundo inteiro apenas gira.
Pessoa a pessoa todas tentando apenas descobrir
Movendo, onde está o poder de tornar mais devagar.
Ficando, fico na força que eu encontrei.

Você nunca muda, sempre é o mesmo.
É sempre será o mesmo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

desafogo.

Luzes apagadas, o barulho silenciou
Nós deixaremos essa cidade antecipados
Logo estaremos de volta à estrada.
Tudo está perdido, mas não esquecido
Uma a uma, as lutas que nós lutamos.
E logo estaremos de volta à estrada.
Por trinta e seis dias.

Estamos longe de casa, e o fim de semana acabou.
Vamos fazer as malas e começar outra vez.
Vinte dias na estrada, acabamos de sair de Feira de Santana.
Com dezesseis dias pela frente.

Apesar de uma parte minha ter ido embora, eu me sinto tão viva
E esta vida que eu levo, é a vida com a qual sonhei
Desde que eu tinha doze anos.
Agora eu cantarei com tudo o que há dentro de mim
Depois de trinta e seis dias na estrada.

Nós encaramos a multidão e começaremos de novo.
Dessa vez no norte de São Paulo, mas uma vez estamos aqui.
É um novo começo e eu viverei essa vida, a qualquer dia.







quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Rotura.

Respire, inspire.

Coloque a culpa nos momentos que você passou ou o que você está passando.
Colocarei a culpa em nossa religião, também nos políticos.
Estávamos explodindo de raiva, minha condição é sermos o assunto.
Não teremos geração.
Sem motivos para entusiamos.

Seremos o assunto, a detonação.
Somos a munição.
Nós Somos o fusível e a munição.

Observei a bagunça que fizemos por amor, olha que bagunça nós fizemos.
Temos a nós mesmos para culpar,armamos uma bomba por amor.

Um mundo, um desespero, uma esperança ou...
E uma salvação.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Mais um trecho.

" O problema real da vida cristã aparece onde as pessoas normalmente não o procuram. Ele aparece no instante em que você acorda cada manhã. Todos os desejos e esperanças para o dia correm para você como animais selvagens. E a primeira tarefa de cada manhã consiste simplesmente em empurrá-los todos para trás; em dar ouvida a outra voz, tomando aquele outro ponto de vista, deixando aquela outra vida mais ampla, mais forte e mais calma entrar como uma brisa. E assim por diante, todos os dias. Mantendo distância de todas as inquietações e de todos os aborrecimentos naturais, protegendo-se do vento.
No começo, nos somos capazes de fazê-lo somente por alguns momentos. Mas então o novo tipo de vida estará se propagando por todo o nosso ser, porque então estamos deixando Cristo trabalhar em nos no lugar certo. Trata-se da diferença entre a tinta, que esta simplesmente deitada sobre a superfície, e uma mancha que penetra. Quando Cristo disse "sede perfeitos", quis dizer isso mesmo. Ele quis dizer que temos que entrar no tratamento completo. Pode ser duro para um ovo se transformar em um pássaro; seria uma visão deveras divertida, e muito mais difícil, tentar voar enquanto ainda se um ovo. Hoje nos somos como ovos. Mas você não pode se contentar em ser um ovo comum, ainda que decente. Ou sua casca se rompe ou você apodrecera."

(C.S LEWIS - Cristianismo Puro e Simples )

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Simple assim.

O garoto diz que te ama, então tá! Ele te ama.
Tua esposa diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, é as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de muitos quilômetros. Uma demonstração de amor exige mais do que beijos, palavras, atitudes.
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão...
Sente- se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.
Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.
Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora, sente-se e escute: ' Eu te amo' não é o início de tudo.