sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Velha Estória.

Um dia, o atraente soldado John Blanchard foi à biblioteca para ler um livro. (Sei que esse tipo de passatempo pode parecer bem sem graça, mas, provavelmente, ele devia estar sentindo muita saudade do seu lar e não sabia o que fazer. Mas isso o levou a algo bem mais interessante.) John ficou impressionado ao ler umas anotações feitas nas margens de um livro que folheava:

- Nossa, gostaria de conhecer a pessoa que escreveu essas palavras. Elas são tão profundas e inspirativas! Descobriu um nome na capa do livro: Harlyss Maynell, Nova Iorque. (É, sei que ela tem um nome bem esquisito, mas guarde esse nome: Harlyss Maynell é uma personagem muito importante nessa história.)

De alguma forma, John tinha certeza de que havia sido ela quem escrevera nas margens do livro. Então, ele fez algo ainda mais doido e impulsivo, o tipo de coisa que acaba naquela lista dos "dez mais" que dizem que você está solitário quando vai até a biblioteca, encontra um nome na capa de um livro e telefona para a pessoa convidando-a para sair. Bem, está bem, John não convidou Harlyss para sair, mas ele ligou para ela! Procurou o seu nome na lista telefônica de Nova Iorque e perguntou-lhe se poderiam começar a se corresponder. (Isso foi antes de existir o e-mail). Aquela atitude foi bem audaciosa. O cara nem conhecia Harlyss. Ela poderia ser uma traficante, integrante da máfia ou uma assassina! Mas ele estava disposto a ir fundo naquilo.

Que será que ela havia escrito nas margens do livro? Aquelas palavras deviam ser bem inspirativas, não é? Talvez John precisasse desesperadamente de um amigo. Mas voltemos a Harlyss Maynell. Ao que parece, ela devia ser uma pessoa formidável. E deve ter tido uma queda por John, pois concordou em corresponder-se com ele, mesmo sabendo que ele estava indo para a guerra, na Europa. Começaram a se corresponder, e logo John ficou apaixonado por Harlyss... mesmo nunca a tendo conhecido! Ele conhecia apenas o que ela havia escrito nas cartas e nas margens do livro. Entretanto, estava apaixonado! (Garotas, será que vocês não gostariam de ter umas aulinhas de redação com Harlyss? Imaginem, ganhar o coração de um homem com uma caneta! Vocês nem teriam de usar mais o recurso da maquiagem! Brincadeirinha!) Acho que John deve ter começado a ficar bem inquieto por não saber como Harlyss era fisicamente, pois, um dia, John escreveu a Harlyss, pedindo-lhe uma foto.

Mas ela respondeu de forma bem categórica: "Não, não enviarei uma foto minha, porque os relacionamentos não devem ser baseados apenas nas aparências." (Oh, rapazes, vocês considerariam isso um sinal de que talvez Harlyss não seja a pessoa mais bonita deste mundo? Claro que a garota poderia escrever bem, mas o que será que havia de errado com a sua aparência para ela não mandar uma foto?) Muitos caras talvez tivessem desistido bem aí. Mas não foi o que John fez. Como eu disse, as cartas e as anotações dela eram maravilhosas. Por isso John deve ter pensado que ela era apenas uma mulher geniosa. Continuou a ficar cada vez mais apaixonado por ela, mesmo sem nenhuma foto dela para colocar debaixo do travesseiro. Imagine amar alguém que você nunca viu, mas por quem está profundamente apaixonado! Finalmente surgiu uma oportunidade para John conhecer pessoalmente Harlyss.

Ele estava voltando para os Estados Unidos e escreveu a Harlyss, propondo-lhe um encontro em algum lugar onde pudessem jantar. Ela respondeu-lhe que o encontraria na Estação Central de Nova Iorque, bem embaixo do grande relógio. Harlyss disse a John que ele a reconheceria pelo fato de que ela estaria com uma rosa vermelha na lapela. Então, o dia chegou, e John ficou debaixo do grande relógio esperando, esperando. Ele estava um pouquinho nervoso. Afinal de contas, aquele não era um primeiro encontro casual.

Quero dizer, como você se sentiria se estivesse apaixonado pela letra de alguém e tivesse que conhecer não apenas a mão, mas também os olhos e o rosto dessa pessoa? E o lance da fotografia? Será que ela estava escondendo alguma coisa? Todas aquelas perguntas inundavam a sua mente alguns segundos antes de ele descobrir a verdade. Uma linda mulher, com um sorriso provocante, começou a andar em sua direção, fazendo com que ele a seguisse com o olhar. Por um breve momento, John pensou estar olhando para Harlyss.

Ele nem podia acreditar na sua própria sorte! Ela não era apenas uma grande e talentosa escritora, ela era maravilhosa! Mas, aí, ele percebeu que ela não tinha um rosa na lapela. E o seu coração se apertou em desgosto, enquanto ela passava por ele. De repente, viu uma mulher que tinha uma rosa vermelha na lapela. Ela estava em sua frente, sorrindo para ele. Ele quase desmaiou em desespero. Ela era uma senhora simples, baixinha e gordinha, mais velha que a própria mãe de John, de cabelos brancos caindo por debaixo de um chapéu surrado. Seus olhos brilharam quando olhou para ele. Ele olhou novamente para a jovem e linda mulher que desaparecia entre a multidão e sentiu-se dividido. (Sei que esta narração deve estar um pouco incompleta.

Quero dizer, rapazes, o que vocês fariam numa situação dessas? Um rapaz conhecido meu disse que, se fosse John Blanchard, teria voltado correndo para a guerra e feito de tudo para levar um tiro!) Mas John Blanchard foi um herói. Fico contente, porque estou começando a gostar dele. Ele não fugiu, ou passou despercebido, ou agiu rudemente. Na verdade, ele percebeu que, mesmo não podendo construir um relacionamento romântico com Harlyss, ele poderia mostrar gratidão àquela mulher que havia sido uma verdadeira amiga por meio de suas cartas. Então, ele sorriu (o mais que pôde) e disse àquela senhora gordinha:

- Oi, a senhora deve ser Harlyss Maynell. Muito obrigado por ter vindo se encontrar comigo. Será que poderemos jantar juntos? (Agora sim, isso foi uma atitude nobre! Quantos caras que vocês conhecem teriam feito o mesmo?)

A senhora ficou surpresa e disse: - Filho, não sei exatamente o que é que está acontecendo, mas sabe aquela jovem que passou por você agora mesmo? Ela me pediu para usar esta rosa e me disse que, se você me convidasse para jantar, ela o estaria esperando no grande restaurante do outro lado da rua. Ela me disse que era um tipo de teste.


Nossa! Será que as suas emoções podem agüentar uma história dessas? No momento em que você estava ficando frustrado, Harlyss Maynell vira o jogo e mostra ser talentosa, bonita e inacreditavelmente inteligente. Ela sabia que não desejava entrar em um relacionamento com um rapaz sem caráter. Ela sabia que um homem com caráter daria mais valor ao interior de um pessoa do que ao exterior. Que forma de descobrir o caráter de um homem!

Garotas, antes de se apaixonarem por qualquer um, façam o teste. Vocês não querem passar o resto de suas vidas com um "banana". John Blanchard provou ser digno de toda a atenção e tempo de Harlyss. Não se contentem com homem nenhum que não seja digno de seu tempo e atenção. Mantenham seus padrões elevados! Para aqueles rapazes corajosos que ficaram conosco durante todo esse capítulo, meus parabéns. Tenho certeza de que não conseguiram lê-lo sem um pouco de suor e mal-estar. Mas acredito que, pela graça de Deus, até mesmo você pode ser transformado em um "cavaleiro de armadura brilhante"! E nunca se sabe, talvez uma das lindas garotas que estão lendo este mesmo livro, neste exato momento, possa tornar-se a sua princesa algum dia, por isso é melhor começar a fazer alguma coisa! Ela tem padrões elevados até o céu, e você sabe que ela saberá discernir se você é um verdadeiro "cavaleiro" ou não!

(trecho do livro : Romance á Maneira de Deus; de Eric e Leslie Ludy)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Utopia.

Falar sobre consciência pode ser uma tarefa "fácil" e "difícil" ao mesmo tempo. O "fácil" são as explicações científicas sobre o desenvolvimento da consciência no cérebro, que envolvem engrenagens como atenção, memória, circuitos neuronais e estruturas cerebrais, que só serviriam para confundir um pouco mais. Nada disso vem ao caso agora, pelo menos não é esse o meu propósito. Portanto, esqueça! Aqui, vou considerar o lado "difícil", subjetivo e relativo ao sentido ético da existência humana: o SER consciente.


A tagarelice mental, que azucrina tal qual um crime cometido, sem dúvidas não é imoral. É absolutamente humana, natural e foge ao nosso controle. Mas também não é a sua consciência soprando no seu ouvido.


Ao contrário do "vou ou não vou", você é imediatamente tomado por um impulso generoso, procurando fazer tudo conforme foi adestrado, com atitudes educadas e agradáveis para os que estão ao derredor.


Hum! A consciência é assim mesmo: chega sem avisar e não complica, apenas faz!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Princípios em duplicidade

A tendência para o verão de 2011 são vestidos curtíssimos e modelos com tecido de cores neon dos anos 80 promete voltar, mas o que não tem previsão para cair de moda é o tão conhecido sarcasmo. As pessoas fazem questão de demonstrar publicamente o quanto falam do fulano ou riem de ciclano, enquanto muitos testemunham esses vômitos verbais consentindo de forma calada ou até se dando ao trabalho de bater palminhas. A pergunta que não quer calar é que tipo medíocre de criação tais pessoas receberam para cruzarem tão perversamente a linha saudável entre brincadeira e agressão? Questiono-me acerca dos valores com os quais convivemos atualmente e sobre a possibilidade dos mesmos se responsabilizarem por agora tornar cool o desrespeito, a depreciação, inferiorização, calúnia e, é claro, o escândalo – popularmente denominado como barraco. Devo mesmo ter perdido algum passo importante, porque simplesmente não consigo lembrar onde foi que nos despimos da tentativa de sermos sempre o melhor que pudermos para nos confortar com a repugnância do prazer no insulto gratuito, nocivo e autodestrutivo. Durante um curto espaço de tempo pensei ser capaz de mudar algumas destas injustas concepções, mas me surpreende cada vez mais a ignorância que cisma em fazer plantão comportamental em lugares nada inusitados.

Enquanto isso, tem muita gente aumentando ou inventando a história da vida de uma terceira pessoa, como se fosse um jogo, como quem desencaixa desonestamente um quebra-cabeça para montá-lo aleatoriamente. Deve ter sido postada mais alguma fofoca repleta de intriga e com absolutamente nenhuma humanidade em algum blog de celebridades, sub celebridades, ou desconhecidos. Ou até, quem sabe, mais alguma daquelas indiretas diretas em algum outro blog, fotolog, twitter, comunidade no orkut, ou…

Ferramentas não nos faltam e o limite se dá até onde a nossa cruel permissividade puder alcançar.

Dignidade nunca esteve tão fora de moda.

sábado, 14 de agosto de 2010

Signa.

É por você que tenho esperado toda a vida, só eu sei o quanto tenho sido forte para suportar essa saudade que você colocou em mim, mas assim como prometi uma vez, te esperarei até tudo estar pronto.

A única pessoa que me deixa com o coração apertado e pulsando mais forte, sem ao menos te ter ao alcance dos meus olhos sinto ciúmes, me faz dormir todas as noites com um discreto sorriso e me faz acreditar em todas as promessas que já estão sendo realizadas.

Agradecerei incessantemente pela existência, e assim como a minha oração, será a canção que você preparou durante tanto tempo para esse dia especial.

Merecida felicidade.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Lima.

Senti falta de algo que sempre esteve perto de mim, o egoísmo me segou, e eu achei que nunca encontraria o meu lugar.

Acordei como uma hipnose encerrada provocou um choque em minha mente, descobrir a coisa mais óbvia foi o que transformou a minha realidade e meus valores. Você pequeno me faz chorar com seus carinhos e declarações inocentes que diz, sem saber as consequências, isso importa? Seu magrelo folgado é com você que passo as noites mais importantes, deitados no sofá e assistindo um filme qualquer.E é na sua cama que deito quando estou sem sono e ficamos conversando horas assuntos idiotas,assim, deitada me deparo observando o quanto sou parecida com você e posso até não demonstrar mais tenho orgulho disso. E eu? Sou apenas um pedacinho de tudo isso. Família minha.

Felicidade tem nome e sobrenome e dorme no quarto ao lado todas as noites.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Capítulo 12

Sim, quando a juventude de minha fantasia ainda povoava o mundo com seres iguais a mim, e eu tinha uma certa propensão à sociabilidade, e quando, após a ausência de vários anos, retornei a Dresden e Berlim, depois de minha segunda viagem à Itália, todo mundo me achou maravilhosamente mudado, tão grande tinha sido antes a minha melancolia, quando ainda o impulso natural à sociabilidade, a vontade de me comunicar e a necessidade de adquirir experiência equilibravam-se com a aversão ao ser humano. A chegada da idade adulta, entretanto, acentuou a força repulsiva e enfraqueceu a outra. A partir daí adquiri gradualmente um “olhar solitário”, tornei-me sistematicamente insocial e decidi dedicar o resto da minha vida efêmera totalmente a mim mesmo e, assim, perder o menor tempo possível com aquelas criaturas, a quem o fato de andarem sobre duas pernas conferiu o direito de nos tomarem por seus iguais, ou também, caso notem que não o somos, como ocorre com maioria, ignorarem astutamente isso e nos tratarem como pessoas iguais a elas, ao passo que nós, já aflitos por não o sermos, ainda temos que sentir a dor da injúria.

Schopenhauer